quarta-feira, 8 de abril de 2009

Semana Santa no Pedras do Rio

Esse momento de aproximação da Páscoa me motivou a escrever sobre um dos programas prediletos nos feriados da semana santa da década passada: Feriadão no Condomínio Pedras do Rio.

Previamente peço desculpas pelo caráter egoísta dessa postagem, já que foram poucos que viveram essa experiência Shamanica-transcendental, se é que isso existe de fato...

O rio Joanes limita os municípios de Camaçari e Lauro de Freitas e as praias de Buraquinho e Buscavida na sua foz. Os manguezais do seu estuário são considerados relevantes no contexto da região do Litoral Norte da Bahia, sejam pela sua tendência ao desenvolvimento do turismo, pela expansão imobiliária ou pela garantia da manutenção de espécies como os peixes robalo e tainha ou crustáceos como caranguejos, guaiamus e siris.

À margem direita desse importante rio encontra-se o condomínio Pedras do Rio, um condomínio muito simpático e calmo que de vez em quando tinha sua tranquilidade abalada pela presença de uma galera que embalava a bebedeira ao som de muito rock n'roll.

A programação era a seguinte: véspera de feriado e a galera se encontrava em Itapuã para pegar uma kombi com destino à Lauro de Freitas. Mochila nas costas, caixas de cerveja na mão dividindo espaço com a sacola com mantimentos para sobreviver alguns dias, som portátil, isopor com carne para o churrasco e por aí vai...

Uma confusão da porra! Uns chegavam mais cedo e organizavam a casa - entende-se por organizar reservar uma cama e colocar a ceva no freezer. Quem chegava depois pegava a pior cama, mas já encontrava a birita em ponto de bala!

Eram dias muito intensos e acredito que alguém tenha criado a idéia de reality show a partir dessa experiência trash vivida por nós.

Rolava de tudo!

Certa vez, estávamos fazendo um churrasco num grelha aberta durante uma noite depois de um dia inteiro de birita e um dos caras pediu para a mina que estava mais perto virar a carne. Claro que o grau de compreensão naquela hora era muito baixo e nossos últimos pedaços de carne não enlatada foram pro carvão no momento em que ela virou a grelha e não as carnes individualmente. Resultado? Biscoito cream cracker com atum pra todo mundo.

Numa das aventuras mais perigosas, 3 malucos sairam num bote a remar pelo rio e esqueceram que estavam a favor da correnteza. Quase foram parar no mar, mas por sorte uma pessoa mais bem localizada na escala social passou com uma lancha a motor e jogou uma corda a fim de dar uma carona aos bebuns que estavam à deriva. Claro que isso não deu certo... O bote quase se espatifou numa das colunas da ponte que liga as duas margens.

A pior de todas foi uma conversa à beira do rio numa dessas noites insanas que fechavam um dia tão ou mais insano. Estávamos em grupo conversando no fundo da casa, que ficava à margem do rio, quando olhando o mato do outro lado da margem alguém perdeu a oportunidade de ficar quieto e lançou:

'-Acho que ali na frente é Itaparica.'

Começou uma discussão sem fim. Uns poucos diziam que ali não podia ser Itaparica enquanto a maioria concordava (é verdade e prefiro acreditar que era para alimentar a viagem coletiva!) até que veio o inesperado... Não, não foi um ferry boat cruzando o rio Joanes, mas a consciência de uma das meninas que foi passar o fim de semana por lá escondida dos pais:

'-É melhor eu sair daqui, pois meus pais estão na ilha e se me verem aqui eu me lasco!'

E saiu andando em direção a casa sob o olhar atônito de todos.

Em outro episódio, saiu todo mundo de casa e ninguém pegou a chave. Quando voltamos começamos a testar todas as janelas e portas para ver se alguma tinha ficado aberta. Como éramos muito previdentes com o material que deixávamos em casa (cerveja, feijoada e kitute em lata, etc) obviamente que deixamos tudo bem fechado. Tentamos de tudo, voamos sobre janelas, passamos cartão de crédito (na verdade era de telefone) na porta até que veio a idéia de usarmos uma vassoura para abrir a porta pelo basculante da cozinha.
Não foi fácil. Passamos uns 20 minutos nos espremendo para alcançar a maçaneta, já que a distância era grande.

Quando conseguimos abrir a porta da cozinha.... CATAPLAM!

A porta da sala estava quebrada ao meio, pois alguém resolveu arrombar a porta da frente enquanto abríamos a do fundo.

Nem preciso dizer que nossa carreira em Pedras do Rio acabou aí, mas várias lembranças ficaram dessas aventuras.

Ainda teve violão quebrado, bolo de ervas finas, pirâmide de lata e muito mais!

Abraço!

Tchê

2 comentários:

ricmottas disse...

Tive a oportunidade de participar de um fim de semana desses e nem me lembrava mais!! Deveria até ter sido inesquecível, porém era tanto Alcool, e Rock and roll que meus neurônios me traíram.
Resumindo: Foi muito bom, crises seguidas de risos faziam parte do final de semana!!!
Abraço!

Violão? disse...

kilocuragi heim?!? deus eh mais!!!