segunda-feira, 23 de março de 2009

Quem tem Fé vai de Caminhão...!

Essa é uma postagem que eu queria guardar para as proximidades do festejo da Lavagem do Bonfim, mas a resenha que rolou no happy hour da última 6a feira me estimulou a fazê-la logo, sob pena de perder alguma informação.

"O culto ao Senhor do Bonfim teve origem em 1669, em Setúbal, Portugal. Ainda neste ano o culto chegou ao Brasil, junto com uma cruz de Jesus crucificado. Uma imagem igual à que existe em Portugal chegou à Bahia em 1745 e, em 1754, foi construída a atual Igreja (Basílica) de Nosso Senhor do Bonfim.

Nos cultos afro-católicos, o Senhor do Bonfim é sincretizado com Oxalá, segundo Verger, "sem outra razão aparente senão a de ter ele, nesta cidade, um enorme prestígio e inspirar fervorosa devoção aos habitantes de todas as categorias sociais" (1997: 259). Ocorre também uma aproximação entre a festa católica e a dos cultos afro-brasileiros, as "Águas de Oxalá".

A festa da lavagem é atribuída à promessa de um devoto. Acredita-se que o ritual da lavagem teve origem nos tempos em que os escravos eram obrigados a levar água para lavar as escadarias da Basílica para a festa dos brancos, desde esta época um agradecimento do povo às graças concedidas pelo Senhor do Bonfim. Considera-se o ano de 1804 como o da primeira lavagem oficial."
Fonte: © Fundação Pierre Verger

Isso é história, mas é claro que existe uma resenha para essa tradicional festa baiana...

Na década de 90 o cortejo seguia nos mesmos moldes de hoje, com algumas carroças e seu jegues enfeitados, daí vem a expressão 'mais enfeitado que jegue na Lavagem do Bonfim' dada àqueles que gostam de usar adereços para parecer uma árvore de natal em qualquer época do ano.

Atrás desse cortejo vinham os caminhões...

Isso mesmo, caminhões! Eles saíam em comboio (não dá para chamar uma fila de caminhões de cortejo, né?) e em volta, e na carroceria dos caminhões, a galera se esbaldava ao som de algum trio que estava à frente ou atrás, bebendo uma cerveja entre os goles de vinho de garrafão que era distribuído no caminhão que você havia comprado a camisa.

Um dos tradicionais desse circuito era o Fecundança, tradiconal caminhão nascido nessa lavagem e que acabou tendo uma mal sucedida inserção no mundo carnavalesco da Bara-Ondina.

O circuito era relativamente curto. Os caminhões desciam a Av. Contorno e a maioria deles seguia até retornar na Praça Conde dos Arcos, no Comércio, em frente ao prédio da Associação Comercial da Bahia. Nesse momento, a maioria das pessoas já estava na carroceria esperando ele voltar até o Mercado Modelo para poder tomar o rumo de casa ou da rua do vai-vem na Barra.

Quem trabalhava durante o dia (eu sei que não parece, mas não é feriado nesse dia) se encaminhava para a Barra encontrar a galera que tinha ido pra lavagem, apesar de nunca terem visto lavagem alguma.

O que se via a partir daí era surreal! Depois de encher a cara de vinho de um rótulo - quem conhece vinho não chama de garafa e sim rótulo (sic!) - muito tradiconal em garrafões de 5l, a galera começava a entornar ligante e cerveja. O resultado era um monte bebuns, numa fedentina desgraçada decorrente de um dia inteiro tomando vinho e banho nas águas calmas da Av. Contorno.

Hoje a lavagem é mais light... E para variar, as festas fechadas pipocam no circuito. Mas a tradicional abertura do verão na Bahia nunca perde sua magia.

Abraço!

Tchê

terça-feira, 17 de março de 2009

Baiano Dengoso


Depois do grande sucesso da dança do Rala o Pinto, faremos uma pausa para falrmos sobre mais uma dessas mazelas que os moradores da Bahia tem que enfrentar devido ao descaso dos nossos (lá ele!) governantes.

Hoje eu acordei retado! Ontem, navegando pela rede comecei a pesquisar dados sobre a incidência de dengue na Bahia. Vocês devem estar pensando que eu tô doente (talvez com dengue!), mas não é nada disso. É apenas uma preocupação com as crianças da família, que expostas à incidência do mosquito Aedes aegypti (não podia ter um nome mais escroto esse mosquito FDP!), têm mais risco de sofrerem as piores consequências dessa doença.

E o que o blog tem com isso?

Adivinha quando foi a primeira epidemia de dengue na Bahia, excelência? Exatamente, 1995!

Desde lá, os órgãos sanitaristas desenvolveram um trabalho a fim de evitar nova epidemia na região, entretanto esse trabalho foi abandonado há alguns anos e a dengue voltou. Certamente a prioridade estava na eleição ou aprovação de algum outro projeto mais importante do que a saúde...

Mas o governo baiano atual resolveu essa questão. Criou um programa mais amplo e de maior penetração (literalmente) do que o Bolsa Família no estado.

O Dengue para Todos!

Veja: Atinge rico, pobre ou meieiro... Preto, branco ou japa... Tricolor ou rubro-negro... Mulher, homem ou baitolo.

Só podia ser um oferecimento do governo: te deixa mole, com dor de cabeça e ainda por cima te desidrata até a morte!

Pois é, fiz uma pausa nos assuntos pitorescos para lembrar que precisamos estar atentos ao nosso ambiente para não permitir que os mosquitos e tão pouco os governantes incompetentes se proliferem nessa terra tão especial.

Abraço!

Tchê

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Dança do Rala o Pinto

Depois de receber inúmeros elogios sobre a idéia do blog, me convenci que precisava escrever algo de impacto nessa semana, sob pena de frustrar a expectativa criada por cada um de vocês se não o fizesse.

Passei o fim de semana pensando, entre um copo e outro (e depois mais outros) sobre o que poderia causar esse impacto. Na minha visão tinha que ser algo trash... Algo que nos remetesse aos anos 90 e despertasse um pouco de constrangimento, mesmo que interior, em cada um que viveu naquela época.

Então me surgiu uma idéia: A Dança do Rala o Pinto!

Não sei se em algum tempo houve alguma coisa parecida... Hoje os mais puritanos acham absurda a Dança do Créu, assim como acharam no passado (na mesma década de 90) a dança da garrafa. Vulgar, obscena, uma baixaria!

Provavelmente os mesmos esquecem desse ícone dos anos 90 que faz o créu ou coisa que o valha parecer a dança da galinha...

Esse 'movimento cultural 'foi lançado no auge da rua do 'vai e vem' na Barra. Pra quem não conheceu a rua do 'vai e vem - e ninguém pega ninguém', também conhecida como rua do meio ou Marques de Leão, era onde o ponto de concentração da galera na niaght e simulava uma espécie de passarela do álcool em Salvador.

Os bares locais (teremos muitas postagens sobre eles, mas só para aquecer a memória: Barraroska, Aladim, Ponte de Safena, Tudo no Espeto, etc) diponibilizavam o som para o agito (sic!), alguns com som ao vivo. Os frequentadores ficavam nos bares ou circulando entre as barracas de capeta e caixas de isopor com cerveja e ligante (esse merecerá uma postagem honrosa nesse blog).

Até que um dos bares emitia através de suas caixas de som a senha: 'Vai começar! Vai começar! Vai começar! Vai começar! Vai começar! Vai começar!'

A música de Zé Paulo (onde anda esse sujeito?) começava assim e depois emendava:

E rala o pinto/E tá beleza/ Rala a bundinha/ E tá legal/ No coqueirinho/ Carrinho de mao /E mexa mais /E o boquete

Veja a letra completa em http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/135688/

O que se via a partir de então é muito difícil de se descrever... No meio da multidão abriam-se rodas de pessoas e lá no meio tinha um sem-noção (ou sem vergonha) fazendo a coreografia!

Nas reuniões familiares sempre tinha um sobrinho mais soltinho que acabava fazendo a alegria da velharada. E isso se repetia nos churrascos da faculdade, no caruru de santa bárbara, na confraternização de empresas e pasmem: nos bares da cidade!

E você ralou por aí?

Abraço!

Tchê

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Impeachment (Renúncia) de Collor

Pois é meus amigos, foi na década de 90 que se iniciou pela primeira vez um processo de impeachment contra um presidente eleito através de eleiçoes diretas.

Fernando Affonso Collor de Mello, carioca, nascido em 12/08/1949, foi o 32º presidente da República Federativa do Brasil, cargo que exerceu de 15/03/1990 a 29/12/1992. Foi também o primeiro presidente eleito por voto direto após o Regime Militar, em 1989.

O governo foi marcado pela implementação do Plano Collor (lembra da Zélia e do confisco da poupança??!), pela abertura do mercado nacional às importações e pelo início do Programa Nacional de Desestatização.

Renunciou ao cargo na tentativa de evitar um processo de impeachment fundamentado em acusações de corrupção. Embora tenha renunciado, Collor (o Caçador de Marajás) teve seus direitos cassados por 8 anos, mas adivinhe; foi eleito novamente para cargo público em 2006, tomando posse como senador por Alagoas em 2007.

É óbvio que não é comentário de história política que vai preencher esse espaço. Não se assuste! Afinal, estamos na Bahia...

Naquela época uma grande mobilização da juventude, apelidada de cara-pintada, tomou conta do país. A televisão mostrava em todos telejornais manifestações pró impeachment que aconteciam simultaneamente nas principais capitais.

É claro que Salvador não poderia ficar atrás e um dia me chamaram para o tal ato político aqui na capital baiana. Os professores liberaram os alunos e o comércio local fechou as portas. A manifestação era uma caminhada que aconteceria do Campo Grande até, claro, a Praça Castro Alves... Isso mesmo, no circuito Osmar! Calma, manifestação na Bahia é assim mesmo.

Saí com um grupo de estudantes do cursinho (como se existisse estudante em cursinho) da Graça em direção ao Campo Grande. Na Vitória paramos numa padaria para comprar uma garrafa de vodka e uma garrafa de Fanta... PQP! Só estudante de cursinho sustentado pelos pais para tomar uma merda dessas.

Começamos a mistura ali mesmo e fomos bebendo Vitória à dentro. Quando chegamos no local da concentração eu já tava tão envolvido no clima do 'ato de cidadania' que quase fui procurar onde era a saída do meu bloco...

O que se viu a partir daí foi incrível! Várias pessoas com pinturas de timbaleiro misturadas aos vendedores e suas caixas de isopor, bandeiras do PT e PC do B e o som do Olodum... Nesse momento eu já tava achando que era a Lavagem do Collor ao invés do impeachment!

Ouvi muito de longe alguém discursando próximo ao teatro, mas a resenha com a galera perto do isopor tava muito melhor. Não esqueça que naquela época se vendia garrafa de 600ml, portanto tinha que beber próximo ao isopor para devolver a garrafa.
Quando o bloco, ou melhor, a passeata saiu cerca de 20% dos 'cara-pintada' soteropolitanos acompanhou. O resto ficou ali mesmo bebendo, olhando a mulherada e marcando alguma coisa pra night.

Depois rolaram outras manifestações, mas aí os professores já estavam ligados na nossa intenção e não liberavam. Até tinha gente que ia pra aula com a cara pintada para aumentar o poder de convencimento, mas isso nunca funcionou.

Collor se foi e voltou, mas cara-pintada mesmo eu só vi novamente no Gueto Square, mas isso é pra outra postagem...

Abraço!

Tchê